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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Autoridades se mobilizam devido ao caos das enchentes de 1979.



No início de fevereiro de 1979, o Diário de Minas noticiou o encontro do Governador de Minas Gerais, Ozanam Coelho, com o Ministro do Interior, Rangel Reis, onde foi apresentado ao ministro um relatório oficial dos prejuízos e da situação em que se encontrava Minas Gerais após as fortes chuvas que causaram enchentes em diversas cidades do estado. Segundo o periódico, a mobilização do governo estadual, não era só imediata, mas a médio e longo prazo, a fim de garantir a recuperação das áreas mais atingidas.

O jornal também informou sobre a chegada à Minas Gerais de um carregamento de vacinas e remédios enviado pelo Ministério da Saúde, bem como a liberação parcial da BR-262 para as cidades de Governador Valadares, Nova Era e João Monlevade, apesar da situação ainda ser crítica, sem a possibilidade de tráfego rodoviário pesado. Governador Valadares ficou entre as 73 cidades isoladas, sem energia elétrica e com problemas no abastecimento de água.

Diário de Minas, 07/02/1979. 

Diário de Minas, 08/02/1979.



Autoridades se mobilizam devido ao caos das enchentes de 1979.



No início de fevereiro de 1979, o Diário de Minas noticiou o encontro do Governador de Minas Gerais, Ozanam Coelho, com o Ministro do Interior, Rangel Reis, onde foi apresentado ao ministro um relatório oficial dos prejuízos e da situação em que se encontrava Minas Gerais após as fortes chuvas que causaram enchentes em diversas cidades do estado. Segundo o periódico, a mobilização do governo estadual, não era só imediata, mas a médio e longo prazo, a fim de garantir a recuperação das áreas mais atingidas.

O jornal também informou sobre a chegada à Minas Gerais de um carregamento de vacinas e remédios enviado pelo Ministério da Saúde, bem como a liberação parcial da BR-262 para as cidades de Governador Valadares, Nova Era e João Monlevade, apesar da situação ainda ser crítica, sem a possibilidade de tráfego rodoviário pesado. Governador Valadares ficou entre as 73 cidades isoladas, sem energia elétrica e com problemas no abastecimento de água.

Diário de Minas, 07/02/1979. 

Diário de Minas, 08/02/1979.



Balanço do caos.



No dia 06 de fevereiro de 1979, o jornal Diário de Minas apresentou um balanço da enchente que atingiu Minas Gerais naquele período. Ao todo eram 136 cidades em estado de emergência, sendo 31 cidades isoladas, 142 mortos, doenças, animais peçonhentos, sujeira, estradas interditadas por quedas de pontes e barreiras, cidades sem energia, água e gás, quase 65 mil desabrigados. Em nota o jornal alertou a população para a previsão de mais quatro dias de chuva, de acordo com o Serviço Meteorológico, além dos esforços empreendidos para amenizar as consequências.

A cidade de Governador Valadares, que também se encontrava em estado de emergência, foi colocada como um ponto estratégico a fim de receber e distribuir alimentos, vacinas, remédios, roupas, para as cidades da região. 



Diário de Minas, 06/02/1979.

Avaliação dos danos causados pelas chuvas.



No dia 03 de fevereiro de 1979, o Diário de Minas veiculou uma matéria acerca de reuniões e encontros de autoridades e órgãos públicos, com o objetivo de avaliar e discutir as perdas e danos causados pelas chuvas e enchentes, além de um rápido balanço dos números da tragédia: 133 cidades atingidas, 58 mortes e 17.918 desabrigados. O Serviço Meteorológico previa que a frente de chuvas estacionada sobre Minas havia se deslocado para o sul do estado, esperando-se uma melhoria nas condições climáticas no norte de Minas Gerais. Governador Valadares foi listada como uma das cidades com maior índice pluviométrico no estado. 



Diário de Minas, 03/02/1979.

Estado de calamidade pública foi decretado em Minas Gerais após chuvas no início de 1979.



No dia 1º de fevereiro de 1979 o Diário de Minas informou sobre a situação em que se encontrava o Estado em decorrência das chuvas que haviam caído nos últimos 25 dias. Uma reunião foi realizada no Palácio dos Despachos entre a CEDEC, representantes do GEACAP, do Ministério do Interior e Justiça, do DER/MG, da SUPAM, da SUDENOR e da SUDENE, com o objetivo principal de avaliar e discutir os prejuízos causados e definir a melhor aplicação de recursos a fim de ajudar a população das áreas atingidas.

Já no dia 02 o jornal anunciou a decretação do estado de calamidade pública em Minas Gerais pelo governo federal. Devido ao grande volume de chuva que caia sobre o estado, trinta linhas de ônibus intermunicipais estavam com suas operações paralisadas. O Vale do Rio Doce era uma das regiões com as estradas em estado crítico e precário devido às chuvas. Em nota, o jornal também informou que o secretário de saúde, Francisco Gilberto Reis Araújo, determinou a instalação, na Assessoria de Serviços Gerais e em cada um dos 16 Centros Regionais de Saúde, de um plantão telefônico 24 horas, em caráter provisório, a fim de atender as necessidades médicas de qualquer região do estado causadas pelas chuvas e enchentes. De acordo com o periódico, eram cento e vinte e três cidades atingidas, quatro ilhadas, cinquenta e oito mortos e mais de vinte mil pessoas desabrigadas. 

Diário de Minas, 01/02/1979.



Diário de Minas, 02/02/1979.

Situação caótica vivida por Valadares após enchente.



Segundo o jornal Estado de Minas, a CEDEC de Governador Valadares informou que em meados de fevereiro eram aproximadamente 15 mil desabrigados e seis mortos na cidade. A inundação do rio atingiu, mesmo que parcialmente, 76 cidades e por isto não existiam números exatos de desabrigados e mortos de toda a região. 

O jornal reproduziu uma fala do subcoordenador do município, Sargento Valadares Simões, acerca da situação das áreas atingidas que apresentavam cerca de mais de um metro e meio de lama nas ruas e casas que permaneceram de pé. O sargento também versou sobre a questão da proliferação de doenças e reafirmou a importância do envio de vacinas e remédios, assim como o envio de alimentos para os flagelados. 

A situação de Governador Valadares era caótica: muitos desabrigados, poucos locais para alocá-los, além de muita lama e sujeira. O nível do Rio Doce ainda não havia baixado em algumas áreas e o prefeito pediu à Marinha uma draga, a fim de fazer o rebaixamento do leito do rio, pelo menos nas áreas urbanas.

Estado de Minas, 13/02/1979. 

Estado de Minas, 24/02/1979. 



“No Vale do Rio Doce, a pequena amostra do dilúvio”.



No dia 10 de fevereiro de 1979 o Estado de Minas noticiou uma das maiores enchentes vividas pelos moradores do Vale do Rio Doce. A matéria destacou a movimentação de aviões de guerra, de carreira e também de helicópteros, entre os aeroportos da Pampulha em Belo Horizonte e o de Governador Valadares, levando carregamentos de alimentos, vacinas e remédios para os desabrigados da região. 

Em Valadares as áreas mais atingidas pela chuva ocorrida três dias antes compreendiam alguns bairros periféricos e a Ilha dos Araújos. Nesta localidade, cerca de 12 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, sendo previsto um prejuízo não só de moradias, mas também no comércio da região, que era significativo. Houve registro de algumas discussões entre moradores da Ilha e de outros bairros afetados, acerca da atenção dispensada pela prefeitura a um e outro, entretanto, o jornal informou que “prevaleceu o espírito de solidariedade”. Alguns fazendeiros da região se reuniram a fim de arrecadar fundos para a reconstrução de casas, além de fornecerem leite e água potável aos moradores.

O engenheiro Felipe Nery do Serviço Autônomo de Águas e Esgoto (SAAE) disse ao jornal que seria preciso que o Rio Doce baixasse cerca de 60 cm para que o fornecimento de água fosse restabelecido, porém, no dia anterior à publicação da matéria, o nível do rio havia subido. A matéria observou ainda que a preocupação maior naquele momento residia nos desabrigados de origem mais humilde, e apresenta rapidamente dois exemplos:

A reportagem abordou também o impacto que a enchente teria na economia de Governador Valadares. As lavouras de subsistência da região foram arrasadas junto com pequenas criações. O jornal ressalta que, apesar da gravidade de situação, até aquele momento o prefeito da cidade, Raimundo Monteiro de Resende, não havia decretado o Estado de Calamidade Pública e, quando questionado, respondeu que tal ato caberia ao Governador do Estado de MG. 

Dentre outras providências, comissões foram formadas a fim de auxiliar na atuação durante o Estado de Emergência e fazer reivindicações junto ao governador. Há ainda uma nota referente à visita do Coronel Waldir Soares de Souza, Secretário Executivo da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), que percorreu todas as áreas atingidas e entregou à cidade milhares de doses de vacinas.

Estado de Minas, 10/02/1979.



Doação de alimentos para os desabrigados.



Uma nota do jornal Estado de Minas informou no dia sete de fevereiro de 1979 sobre a chegada à Governador Valadares, no dia anterior, de um avião da Força Aérea Brasileira, levando 12 mil quilos de alimentos, vacinas, remédios e uma bomba de sucção em prol dos moradores que sofriam com uma grande enchente na cidade. Contava-se 13 mil desabrigados e as ligações rodoviárias estavam interrompidas. 

Já no dia 08 de fevereiro de 1979 o periódico publicou uma nota informando sobre a entrega de 30 toneladas de alimentos feita pela Secretaria da Saúde, no hangar do governo na Pampulha, a fim de também serem levados à Governador Valadares e outras cidades atingidas pelas chuvas naquele mês. Além disso, o EM mencionou que já eram contabilizados 20 mil desabrigados na região Vale do Rio Doce e que com a queda de dezessete barreiras e duas pontes, a ligação da cidade com Belo Horizonte continuava irregular.

Estado de Minas, 07/02/1979. 



Estado de Minas, 08/02/1979.

Um panorama das cidades atingidas por chuvas em Minas.



Em 1º fevereiro de 1979 o jornal Estado de Minas noticiou a anormalidade do volume de chuva caída nos últimos dias em algumas cidades mineiras. Tal anormalidade seria decorrente de uma frente fria que estava sobre o estado.

A matéria cita Governador Valadares como a cidade em que mais choveu no período, 582,2mm, sendo que o normal para o período é 110,8mm.

Já no dia 06 daquele mesmo mês, o jornal anunciou que o governo de Minas Gerais havia decretado estado de emergência. A matéria apresentou um panorama geral e rápido sobre a situação de várias cidades de Minas Gerais que foram atingidas pelas chuvas do início do ano. 

Uma nota informou sobre a situação de Governador Valadares depois das chuvas que provocaram o transbordamento do Rio Doce. O município naquele momento estava com o fornecimento de água potável interrompido e sem gás. O bairro mais atingido foi a Ilha do Araújos, sendo totalmente inundado. Houve a retirada de 1800 famílias (cerca de 6 mil pessoas). De 70 a 80 km de ruas da cidade estavam alagadas. Além da Ilha, o EM enumerou os seguintes bairros com situação precária: São Pedro, São Paulo, Santa Rita, São Tarcísio, Santo Antônio e Santa Terezinha. O delegado Oswaldo Moura Filho informou ao jornal que até o momento 10 pessoas haviam morrido. 

Na mesma edição o periódico publicou uma matéria sobre o transbordamento do Rio Doce e os transtornos causados no estado do Espírito Santo, principalmente em Colatina, Linhares e Baixo Guandú.

Estado de Minas, 01/02/1979.

Estado de Minas, 06/02/1979.


domingo, 8 de setembro de 2013

Esquema de ação contra as chuvas.

Diário do Rio Doce, 04/12/1980. 


No final de 1980, com o início da estação chuvosa e ainda com a lembrança da enchente de 1979 presente na memória de seus moradores, a cidade de Governador Valadares preparou um esquema de ação contra as chuvas.

A articulação dos trabalhos da Coordenadoria Regional de Defesa Civil, sob responsabilidade do 6º BPM, e a Coordenadoria Municipal, representada pelo Prefeito, além do Departamento de Engenharia do SEMOV, tinham como objetivo desenvolver ações de prevenção para garantir que os estragos do ano de 1979 não se repetissem.

Algumas das medidas implementadas: limpeza de bueiros, limpeza de calhas, canais e córregos, recolhimento de entulhos jogados nas margens dos rios, além de divulgação de boletim informativo sobre o nível do rio Doce.


Apesar de destacar o esquema de ação, a reportagem também aborda os problemas que ainda não seriam resolvidos naquele ano por falta de verbas, falta de iniciativa pública ou conscientização da população. 


 Diário do Rio Doce, 04/12/1980.

Diário do Rio Doce, 04/12/1980. 


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Retrospectiva – 1979.

“As enchentes foram a grande notícia do ano de 1979”. 
Diário do Rio Doce, 16/01/1980.


Em 16 de janeiro de 1980 o Diário do Rio Doce publicou uma retrospectiva dos principais acontecimentos de 1979 na cidade de Governador Valadares. As enchentes de fevereiro e novembro ganharam destaque especial entre as páginas 16 e 17 daquela edição do periódico.

domingo, 11 de agosto de 2013

Alerta Verde, documentário sobre as enchentes que aconteceram em Minas Gerais em 1979.

A seção de cinema do jornal Diário do Rio Doce publicou em janeiro de 1980 uma notícia referente ao documentário Alerta Verde produzido pelo jornalista William Saliba em 1979. O texto de Carlos Simões informa que o curta-metragem foi filmado entre fevereiro e outubro de 1979 nas regiões do Vale do Rio Doce, Vale do Mucuri e Jequitinhonha. 

Segundo o jornal “o roteiro baseia-se na ação humana depredadora e na poluição ambiental como causas do desequilíbrio ecológico que ocasionou as enchentes em Minas Gerais”. O jornal reproduz como fotografia uma cena do filme que mostra a violência do Rio Doce nas enchentes de 1979.


“Alerta Verde”. Carlos Simões. 
Diário do Rio Doce, 15/01/1980.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Enchente do Rio Doce.


“Enchente do Rio Doce invade bairros e deixa 500 flagelados”. Foi com essa manchete que o Diário do Rio Doce fechou o ano de 1979. O jornal realizou um balanço da população que estava abrigada em escolas por causa das chuvas: 496 pessoas recolhidas pela operação conjunta ente a PM, os Bombeiros e a Prefeitura da cidade. A Defesa Civil organizou 4 comissões para prestar ajuda aos cidadãos que ficaram sem casa. São elas: comissão médico-sanitária, alimentação, vestuário e imprensa.




O periódico publicou ainda 8 fotografias de áreas inundadas, da operação da PM e da Defesa Civil e também retratou os desabrigados.



  Diário do Rio Doce, 30/12/1979.






Os santos e a enchente.



“Enchente atinge São Pedro, São Tarcisio, Santa Terezinha, São Paulo e Santa Rita”. Clóvis. Diário do Rio Doce, 27/12/1979.


Na charge veiculada pelo Diário do Rio Doce no final de dezembro de 1979, o chargista Clóvis se refere ao fato da enchente causada pelo cheia do Rio Doce ter atingido, em sua maioria, bairros com nomes de santos como Santa Rita, São Paulo, Santa Teresinha, São Tarcísio e São Pedro.


O desenho mostra santos escondidos em moitas enquanto suas vestes secam em um varal. Podemos pensar também, que a enchente ocorrida em Governador Valadares entre novembro e dezembro daquele ano foi tão grave que nem as divindades escaparam. 

Enchente causada pela cheia do Rio Doce.


Diário do Rio Doce, 07/11/1979.

Em novembro de 1979 a enchente causada pela cheia do Rio Doce em Governador Valadares deixou cerca de 500 pessoas desabrigadas. As pessoas foram removidas das áreas inundadas por uma equipe de 250 homens do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. Além disso, o 6º Batalhão da PM disponibilizou sua cantina para alimentar a população sem casa.

Os bairros mais afetados foram: Santa Rita, São Paulo, Santa Teresinha, São Tarcísio, São Pedro e a Ilha dos Araújos.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Transtornos causados pelas chuvas.

No dia 30 de janeiro de 1979, o Diário do Rio Doce trata do estado de calamidade vivido pela cidade de Governador Valadares por causa do alto índice pluviométrico registrado em janeiro daquele ano.



A primeira referência é uma foto do conjunto BNH na Ilha dos Araújos, que foi invadido pelas águas do Rio Doce. A imagem é usada como chamada para a reportagem publicada no miolo do jornal. 





Ilha dos Araújos. 
Diário do Rio Doce, 30/01/1979.

A manchete escrita em caixa alta informa e ao mesmo tempo causa alarme no leitor: “Rio Doce invade as áreas mais baixas de GV”.




Diário do Rio Doce, 30/01/1979.


Segundo a matéria, a cheia do Rio Doce ameaçava as faixas de terra às margens do curso d’água. Os bairros mais afetados eram o São Paulo, Santa Terezinha, São Pedro e também as áreas próximas ao Córrego Figueirinha. 

O texto do jornal, além de ter um caráter informativo, tem como objetivo alertar os leitores para os perigos que poderiam ser causados pelas chuvas previstas para as horas posteriores ao fechamento da edição do periódico. 

O 6º Batalhão da Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e o Semov estavam com suas equipes de prontidão para atender as emergências.

A situação

As partes mais baixas do São Paulo e Santa Teresinha, bem como da região lateral do Figueirinha, tinham água dentro de diversas casas e barracos, assim como no São Pedro, que é bastante baixo. Na Ilha dos Araújos, os esgotos pluviais, recentemente implantados, estão funcionando ao contrário, isto é, conduzindo água do rio para a Ilha. A Av. Rio Doce foi invadida na altura da Av. Suaçuí, mas a água retorna ao leito do Rio Doce na altura da Rua 34. A Rua 14 tem três quarteirões totalmente tomados pela água... (Diário do Rio Doce, 30 de janeiro de 1979).

A reportagem apresenta ainda quatro fotografias em preto e branco com formato quadrangular. Todas elas mostram áreas tomadas pelas águas do Rio Doce ou pela lama. A legenda é a seguinte: Esta é a situação dos bairros de Governador Valadares: muita água e lama. A população vai-se virando, porque o Semov já informou que não há como resolver o problema. Só depois das chuvas é que são feitos reparos. Em alguns bairros, como o Santa Teresinha e o São Paulo (partes baixas), as águas são do Rio Doce. 

Na mesma edição, o chargista Clóvis denuncia a precária situação da Ilha dos Araújos através de seu desenho. O personagem da charge carrega uma trouxa com seus pertences e se agarra a única coisa que sobrou em seu caminho, uma placa com a palavra “Ilha”.





 “Ilha”. Clóvis. Diário do Rio Doce, 30/01/1979. 

Chuvas em Governador Valadares.



“Chove três vezes mais que o normal”. Clóvis.
Diário do Rio Doce, 28/01/1979.


A charge publicada pelo jornal O Diário do Rio Doce em 28 de janeiro de 1979, dialoga com a história bíblica de Noé, que construiu um navio, a mando de Deus, para abrigar sua família e um casal de cada animal existente no mundo.

Assim como Noé, o personagem da charge constrói seu barco para escapar do dilúvio, que é caracterizado pelo título da imagem: “Chove três vezes mais que o normal”, enquanto os animais assistem a cena.

sábado, 13 de julho de 2013

Danos causados pelo alto índice pluviométrico de janeiro de 1979 em Governador Valadares










Diário do Rio Doce, 28/01/1979.





“Chuva de janeiro é três vezes além do normal e Rio Doce faz estragos”. Esta é a manchete da reportagem veiculada na edição do Diário do Rio Doce que foi posta nas bancas no dia 28 de janeiro de 1979. A matéria resumiu a situação da cidade de Governador Valadares frente às chuvas daquele período. 

Segundo o Diário, em janeiro de 1979 choveu três vezes mais que o esperado para a região, de acordo com a medição pluviométrica feita pelo Instituto Nacional de Meteorologia. 

O Departamento Estadual de Estradas e Rodagem trabalhava em regime de plantão para atender a todas as demandas devido à cheia do Rio Doce. O ponto mais afetado em janeiro foi a Ilha dos Araújos, por sua posição geográfica. 

Alguns problemas causados pelo alto índice pluviométrico do verão de 1979 também foram elencados pelo jornal: paralisação do transporte realizado por balsa; dificuldade de fornecimento de água para o conjunto de apartamentos da Ilha dos Araújos; inundação das áreas às margens do Rio Doce como, por exemplo, ruas do Bairro São Pedro. Além disso, o bairro Santa Teresinha registrou desabamentos de aterros e obras de arrimo de sua única praça. 

Ainda de acordo com o jornal, o Semov e o Corpo de Bombeiros receberam muitos chamados de socorro por dia. No entanto, apenas duas mortes relacionadas às chuvas foram registradas naquele mês. 

A reportagem é ilustrada com 5 fotografias em preto e branco que mostram o Rio Doce, o córrego Figueirinha e algumas áreas afetadas pelas águas desses dois cursos d’água. 

A seguinte legenda determina a leitura das fotos: “As chuvas que têm caído nesta região vêm causando sérios problemas. Os cursos d’água que mais perturbam são o Córrego Figueirinha, que banha a área urbana, e o Rio Doce, por seu grande volume de água. Há vários pontos inundados, entre eles, sob o conjunto do BNH, na Ilha dos Araújos. As balsas estão paralisadas e muitos quintais e ruas invadidos”. 

As chuvas e a produção de leite em Governador Valadares.



“Produção de leite sobe mais ainda com chuvas”. Clóvis.
Diário do Rio Doce, 28/01/1979.


Diário do Rio Doce, 28/01/1979.Em 28 de janeiro de 1979, o Diário do Rio Doce veiculou uma charge sob o título “Produção de leite sobe mais ainda com chuvas”.

Apesar das duas personagens, uma vaca e o fazendeiro, o que mobiliza o leitor são os diversos baldes de leite expostos à chuva. Logo, o motivo da alta produção de leite no período não seriam as condições favoráveis de criação do gado leiteiro, mas a água “adicionada” ao produto que seria vendido ao consumidor.

Chuvas e trânsito.



Diário do Rio Doce, 26/01/1979. 


Em 26 de janeiro de 1979, o principal jornal de Governador Valadares veiculou uma fotografia da Avenida Lisboa tomada pelas águas da chuva, com dois carros populares tentando completar seus trajetos em meio à enxurrada. 

A avenida foi classificada pelo Diário do Rio Doce como umas das principais artérias do Bairro Grã-Duquesa, que ficava praticamente intransitável quando chovia intensamente na cidade. 

Além disso, o Diário atribuiu os problemas causados pelas chuvas à falta de planejamento e infraestrutura do bairro e do município em geral.