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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Situação caótica vivida por Valadares após enchente.



Segundo o jornal Estado de Minas, a CEDEC de Governador Valadares informou que em meados de fevereiro eram aproximadamente 15 mil desabrigados e seis mortos na cidade. A inundação do rio atingiu, mesmo que parcialmente, 76 cidades e por isto não existiam números exatos de desabrigados e mortos de toda a região. 

O jornal reproduziu uma fala do subcoordenador do município, Sargento Valadares Simões, acerca da situação das áreas atingidas que apresentavam cerca de mais de um metro e meio de lama nas ruas e casas que permaneceram de pé. O sargento também versou sobre a questão da proliferação de doenças e reafirmou a importância do envio de vacinas e remédios, assim como o envio de alimentos para os flagelados. 

A situação de Governador Valadares era caótica: muitos desabrigados, poucos locais para alocá-los, além de muita lama e sujeira. O nível do Rio Doce ainda não havia baixado em algumas áreas e o prefeito pediu à Marinha uma draga, a fim de fazer o rebaixamento do leito do rio, pelo menos nas áreas urbanas.

Estado de Minas, 13/02/1979. 

Estado de Minas, 24/02/1979. 



“No Vale do Rio Doce, a pequena amostra do dilúvio”.



No dia 10 de fevereiro de 1979 o Estado de Minas noticiou uma das maiores enchentes vividas pelos moradores do Vale do Rio Doce. A matéria destacou a movimentação de aviões de guerra, de carreira e também de helicópteros, entre os aeroportos da Pampulha em Belo Horizonte e o de Governador Valadares, levando carregamentos de alimentos, vacinas e remédios para os desabrigados da região. 

Em Valadares as áreas mais atingidas pela chuva ocorrida três dias antes compreendiam alguns bairros periféricos e a Ilha dos Araújos. Nesta localidade, cerca de 12 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, sendo previsto um prejuízo não só de moradias, mas também no comércio da região, que era significativo. Houve registro de algumas discussões entre moradores da Ilha e de outros bairros afetados, acerca da atenção dispensada pela prefeitura a um e outro, entretanto, o jornal informou que “prevaleceu o espírito de solidariedade”. Alguns fazendeiros da região se reuniram a fim de arrecadar fundos para a reconstrução de casas, além de fornecerem leite e água potável aos moradores.

O engenheiro Felipe Nery do Serviço Autônomo de Águas e Esgoto (SAAE) disse ao jornal que seria preciso que o Rio Doce baixasse cerca de 60 cm para que o fornecimento de água fosse restabelecido, porém, no dia anterior à publicação da matéria, o nível do rio havia subido. A matéria observou ainda que a preocupação maior naquele momento residia nos desabrigados de origem mais humilde, e apresenta rapidamente dois exemplos:

A reportagem abordou também o impacto que a enchente teria na economia de Governador Valadares. As lavouras de subsistência da região foram arrasadas junto com pequenas criações. O jornal ressalta que, apesar da gravidade de situação, até aquele momento o prefeito da cidade, Raimundo Monteiro de Resende, não havia decretado o Estado de Calamidade Pública e, quando questionado, respondeu que tal ato caberia ao Governador do Estado de MG. 

Dentre outras providências, comissões foram formadas a fim de auxiliar na atuação durante o Estado de Emergência e fazer reivindicações junto ao governador. Há ainda uma nota referente à visita do Coronel Waldir Soares de Souza, Secretário Executivo da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), que percorreu todas as áreas atingidas e entregou à cidade milhares de doses de vacinas.

Estado de Minas, 10/02/1979.



Doação de alimentos para os desabrigados.



Uma nota do jornal Estado de Minas informou no dia sete de fevereiro de 1979 sobre a chegada à Governador Valadares, no dia anterior, de um avião da Força Aérea Brasileira, levando 12 mil quilos de alimentos, vacinas, remédios e uma bomba de sucção em prol dos moradores que sofriam com uma grande enchente na cidade. Contava-se 13 mil desabrigados e as ligações rodoviárias estavam interrompidas. 

Já no dia 08 de fevereiro de 1979 o periódico publicou uma nota informando sobre a entrega de 30 toneladas de alimentos feita pela Secretaria da Saúde, no hangar do governo na Pampulha, a fim de também serem levados à Governador Valadares e outras cidades atingidas pelas chuvas naquele mês. Além disso, o EM mencionou que já eram contabilizados 20 mil desabrigados na região Vale do Rio Doce e que com a queda de dezessete barreiras e duas pontes, a ligação da cidade com Belo Horizonte continuava irregular.

Estado de Minas, 07/02/1979. 



Estado de Minas, 08/02/1979.

Um panorama das cidades atingidas por chuvas em Minas.



Em 1º fevereiro de 1979 o jornal Estado de Minas noticiou a anormalidade do volume de chuva caída nos últimos dias em algumas cidades mineiras. Tal anormalidade seria decorrente de uma frente fria que estava sobre o estado.

A matéria cita Governador Valadares como a cidade em que mais choveu no período, 582,2mm, sendo que o normal para o período é 110,8mm.

Já no dia 06 daquele mesmo mês, o jornal anunciou que o governo de Minas Gerais havia decretado estado de emergência. A matéria apresentou um panorama geral e rápido sobre a situação de várias cidades de Minas Gerais que foram atingidas pelas chuvas do início do ano. 

Uma nota informou sobre a situação de Governador Valadares depois das chuvas que provocaram o transbordamento do Rio Doce. O município naquele momento estava com o fornecimento de água potável interrompido e sem gás. O bairro mais atingido foi a Ilha do Araújos, sendo totalmente inundado. Houve a retirada de 1800 famílias (cerca de 6 mil pessoas). De 70 a 80 km de ruas da cidade estavam alagadas. Além da Ilha, o EM enumerou os seguintes bairros com situação precária: São Pedro, São Paulo, Santa Rita, São Tarcísio, Santo Antônio e Santa Terezinha. O delegado Oswaldo Moura Filho informou ao jornal que até o momento 10 pessoas haviam morrido. 

Na mesma edição o periódico publicou uma matéria sobre o transbordamento do Rio Doce e os transtornos causados no estado do Espírito Santo, principalmente em Colatina, Linhares e Baixo Guandú.

Estado de Minas, 01/02/1979.

Estado de Minas, 06/02/1979.